terça-feira, 10 de maio de 2011

Solidariedade à ministra que afiançou meu aluguel

Não faço parte do chamado Mundo da Cultura porque não sou produtor cultural, apesar de metido a escrever alguns contos desprentensiosos. Mas acompanho todo o debate, ou melhor dizendo, toda a tentativa de crucificar a ministra Ana de Hollanda, que conheci há muitos anos, quando compartilhamos do mesmo partido político e do mesmo local de trabalho. Eu era assessor de imprensa da Associação dos Funcionários do Banespa (Afubesp) e ela responsável pelo trabalho cultural da mesma entidade. Ana, gentilmente, foi fiadora de meu aluguel, nos tempos de penúria e baixa remuneração.Paguei direitinho o aluguel, de modo que não criei grandes problemas à minha fiadora. Na ocasião, minha mulher trabalhava na ex-Secretaria Estadual do Menor e, na época, abriram-se os arquivos da Fundação de Proteção ao Menor (Febem). O músico, compositor e escritor Chico Buarque tinha uma ficha lá, do tempo em que, aos 17 anos, resolveu com os amigos dar uma volta de carro, em São Paulo, pegou "emprestado" um na rua e foi capturado pela polícia. Minha mulher conseguiu uma cópia que entreguei à Ana que, por sua vez, a enviou ao irmão. Graças a essa gentileza,ganhamos ingressos grátis para o show de lançamento do novo disco de Chico. Segundo seu próprio depoimento, a ficha, com a sua foto, lhe serviu de inspiração para a compor a música A Foto da Capa, do disco Para Todos (sinal que alguma contribuição demos à cena cultural). Bem, essa história toda a pretexto de dizer que, ao meu ver, Ana entrou em uma barca furada ao aceitar o cargo de ministra. Me parece que ela é uma estranha no ninho do PT e, quem conhece o partido, sabe o quanto ele está cheio de cobras. Ana está sob bombardeio, resta saber quanto tempo vai aguentar tamanha pressão. À minha ex-fiadora e amiga daqueles tempos, minha solidariedade.

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