sexta-feira, 17 de junho de 2016

Uma terrível coincidência



Quem acusa tem o ônus da prova e alguma prova material deve haver em meio às denúncias que envolvem conhecidas figuras do cenário político brasileiro, que os incrimine e os leve a pagar pelos seus atos. Os mesmos nomes estão invariavelmente na boca de diferentes delatores. Levando ao extremo a teoria da conspiração só poder haver algum conluio entre eles para incriminar sempre os mesmos personagens.
Eu sei que é pedir muito, afinal  estamos no Brasil, mas acusações menos graves levaram a pedidos de renúncia de políticos em outras democracias. É muito grave o que estamos presenciando.
Não pode haver condescendência com os casos de corrupção e os suspeitos devem se afastar de seus cargos. Mas aí seria o caso de alguma dose altruísmo. Vide o embróglio causado pela nomeação de ministros sob suspeita.
Já se cogitou a hipótese da convocação de eleições presidenciais e mesmo gerais. O problema são as dificuldades da opção por tal saída que pode acontecer pela vacância dos cargos de presidente e vice ou por emenda constitucional.
Nesse último caso, seria a PEC (proposta de Emenda Constitucional)  aprovada com a concordância de três quintos dos deputados e senadores. Interesses políticos, e a pouca disposição para decisões éticas e morais de nossos congressistas, dificultam a viabilização de tal medida. O sistema parlamentarista teria a vantagem de ser menos traumático em casos como esse.
É necessário pensar em uma saída política para a crise, que contamina a tomada de decisões sobre a economia. Como a crise política condiciona a crise econômica, é urgente resolver esse quebra-cabeças.
Em abril desse ano, quando o afastamento da presidente ainda não havia sido votado, algumas vozes propuseram a antecipação das eleições. Para isso, seria necessário a impugnação da chapa Dilma/Temer, com a posse do presidente da Câmara e a convocação do pleito.
Cunha era o presidente da Câmara naquele momento cargo ocupado hoje por Waldir Maranhão. Como se pode constatar é difícil encontrar uma saída viável devido à complexidade da situação.
Naquela ocasião, se a presidente e o vice concordassem com a tese da renúncia essa saída seria possível. A hipótese do impeachment também do presidente em exercício reforça a tese.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki resolveu dar conhecimento público do teor das delações do ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, e na quinta-feira só se falou nisso.
Temer optou por fazer um pronunciamento público a respeito. Os índices de aprovação de seu governo interino só comparáveis ao de Dilma, ou seja, péssimos, desaprovação total.
Os trabalhos se arrastam na comissão processante do impeachment e a defesa cometeu ontem um deslize ao citar entre os juristas que dão parecer favorável a Dilma, no episódio das pedaladas, um jurista inexistente, cujo nome soa como um cacófano.
Comprovando a veia irônica do brasileiro dizem que Temer está prestes a conseguir o tetra, ter de afastar um quarto nome entre os ministros que nomeou.
Vamos aguardar os próximos lances dessa trama que superam de longe o roteiro de uma série americana de TV de grande sucesso. Ela conta  as manobras de um fictício congressista que se torna vice-presidente dos EUA. O personagem criou uma série de situações que levaram a renúncia do presidente e a sua ascensão ao poder.



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