sexta-feira, 24 de junho de 2016

Moradores em situação de rua exigem moradia e dignidade

Parlamentares, representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública, lideranças, ativistas e movimentos em defesa dos direitos dos moradores em situação de rua se reúnem na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, em audiência pública, na segunda-feira, às 14h30.
Os movimentos estão empenhados em encontrar soluções para os problemas das pessoas que estão sem moradia, na cidade de São Paulo. Aproximadamente 22 mil estão nessa condição. Nos últimos dias, seis delas morreram devido ao frio, mas uma liderança do movimento me disse que as vítimas teriam sido oito, inclusive duas crianças.
Os representantes do movimento também contestam a qualidade dos albergues, dizem que eles são inadequados, insalubres e inseguros, com ocorrência até de assassinatos e estupros, outros são muitos distantes, dificultando a locomoção das pessoas. Os funcionários são despreparados e quem lucra com a miséria são as entidades que administram mal os albergues e recebem altas somas de dinheiro para isso.
Esta semana, a Prefeitura de São Paulo abriu novas vagas em um albergue de emergência, localizado na Galeria Prestes Maia, centro da cidade. Segundo essa liderança que ouvi, o albergue sequer possui uma torneira para as pessoas lavarem o rosto, muito menos um banheiro para ser utilizado.
Em uma reportagem de TV, a secretária municipal de Assistência Social, Luciana Temer, mostra as camas do albergue que, segundo ela, dispensam a necessidade de a pessoa tomar banho. A declaração da secretária foi muito mal recebida, pois passou a impressão de que não é necessário se limpar para dormir.
Os moradores em situação de rua não querem saber dos albergues. Eles se queixam ainda de que os homens são separados de suas mulheres e as famílias dos filhos, se quiserem ser alojados. Os albergues também não aceitam os animais de estimação, que tem um profundo vinculo afetivo com os moradores de rua.
A questão de fundo é a falta de moradias que poderia ser solucionada com a adoção de medidas criativas e alternativas como a locação social. Todavia, o encaminhamento de soluções passa, segundo entendem as lideranças, por menos assistencialismo e pela definição de políticas públicas permanentes por parte do Estado.

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