terça-feira, 19 de abril de 2011

Cuba

Militantes de esquerda de minha geração sempre tiveram grande apreço por Cuba e sua revolução. Estive em Havana duas vezes nos anos 1980, em intervalos de dois a três anos. Na primeira me encantei com a Ilha, a achei parecida com uma Salvador, Bahia, revolucionária,com um povo igualmente alegre e acolhedor, uma população majoritariamente de origem africana. Na segunda vez, por ocasião do III Congresso do Partido Comunista, portanto há 25 anos, Havana estava mudada. A parte velha da cidade degradada, suas casas mal-cuidadas me deixaram melancólico, porque representavam a próprio regime em processo de deterioração. Hoje, à distância, passados tantos anos, avalio Cuba sem paixão, mas com sentimento de que devo algo aos cubanos, aos amigos que fiz e que nunca mais vi. A revolução deixou de me encantar porque não se renovou. O embargo econômico asfixou Cuba, mas a revolução não conseguiu lograr alternativas. Fidel acaba de se aposentar, nenhuma nova liderança ficou em seu lugar. Virou uma Castro dinastia, estagnou. Gorbatchov na ex-URSS queria revitalizar o socialismo propondo mudanças sem precedentes. Criou e Perestroika e a Glasnost. Não deu tempo. O sistema em processo de decomposição ruiu. Pode não haver mais tempo para Cuba.

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