sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Perplexidade

Com certeza não sou apenas eu, mas cada vez fico mais perplexo com o andamento das investigações acerca da quebra de sigilo da Receita Federal.
Agora descobriram que uma das responsáveis e seu marido tinham em casa procurações para convencer as pessoas que tiveram os seus sigilos quebrados a assinarem os documentos para justificar as violações. Isso tudo, segundo os seus depoimentos, aconselhados pela ... Corregedoria da Receita!!! Até quando o responsável-mor da Receita vai permanecer no cargo, até quando vai se aguardar para uma intervenção no órgão?
Mais perplexo ainda eu fico com as declarações do ministro da Fazenda e do próprio presidente da República querendo minimizar um caso tão grave quanto esse.
É a mesma atitude adotada sobre o "mensalão". As pessoas, militantes e políticos ligadas ao partido no poder e o próprio presidente, que se comporta não como mandatário mas como presidente da sigla, dizem que tudo é uma invenção da mídia.
Inversamente, os prejudicados com a quebra de sigilo passam a ser considerados culpados. Cada vez mais me convenço que a frase:" o Brasil não é um páis sério", atribuída ao ex-presidente francês De Gaule, é a mais adequada para definir o que fazem da nossa amada e espoliada terra.
Minha esperança está depositada na democracia (sim, sou idealista ou apenas um idiota, não sei), que acredita que ela deve ser cada vez mais ampliada, por mais que o presidente da República queira desacreditá-la com suas atitudes.
É hora de dizer um basta a essa situação, que não pode ser perpetuada. Se pela via eleitoral não é possível no momento, dado o andar da carruagem pendendo para a candidata situcionista, que, pelo menos, o clamor de alguns poucos indignados se possa ouvir nas ruas e em todos os cantos, insistindo com firmeza para corrigir as distorções que presenciamos.
Os cidadãos que prezam a democracia não podem se conformar com tais violações, mesmo que a oposição do momento se veja impelida em fazer as denúncias por mero oportunismo eleitoral (espero sinceramente que não seja o caso).
A imprensa também não pode se calar passadas as eleições, como muitas vezes o faz, para não passar a impressão de que está sendo manipulada pelo momento eleitoral.
Outra preocupação é com a Lei da Ficha Limpa. Já se notam recuos dos magistrados do Supremo de aplicarem a legislação a partir de agora. Não é possível que Maluf e outros congêneres recebam mais um salvo conduto, por força de recursos e mais recursos e lentidão da Justiça.
Recentemente, Maluf teve uma pena prescrita devido a sua idade. É uma afronta vê-lo sorrindo e gozando dos cidadãos. Muitos acabam acreditando que o sujeito é de fato inocente, perseguido.
Como consolo, assistimos há pouco um prefeito e sua quadrilha ir parar na cadeia, em Dourados, e um governador e seus asseclas, no Amapá, terem o mesmo destino. Esperamos que a Justiça faça o seu papel e que tudo não acabe como outros casos dos que são flagrados de calças curtas, cuecas abarrotadas de dólar, cofres em casa cheios de dinheiro vivo. Deve ficar claro aos cidadãos de bem que o crime não compensa.



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