O padre Djacy Brasileiro se define como sertanista. Ele é da Paraíba, lutador, às vezes acusado de se autopromover com a sua briga. Mas na verdade é defensor intransigente de seu povo. Quando se trata de denunciar os efeitos maléficos da secular Indústria da Seca, é com ele mesmo. "Estamos vivendo uma situação de flagelo humanitário e ambiental na Paraíba. É um cenário devastador. A seca arrasa, devasta e mata", denuncia Djacy. Os culpados são o governo, que só oferece paliativos, e os políticos nordestinos que não tomam atitudes. Estes últimos, segundo o padre, são os maiores beneficiários. Por isso, a indústria da seca está "a pleno vapor" porque se aproxima a época das eleições. Já as obras de transposição das águas do Rio São Francisco, consideradas por ele a solução para a seca que assola a região, estão paradas. "Até que no governo do Lula elas estavam sendo tocadas, mas no governo da Dilma estão a passo de tartaruga". Djacy critica os programas de distribuição de renda. "Eu pergunto para as pessoas, quanto entra de dinheiro na casa de vocês e elas me respondem às vezes R$ 100, R$ 200 e até R$ 300. E o que dá para fazer com esse dinheiro? Elas me respondem: dá para fazer a feira para uns 20 dias". São paliativos que para o padre não resolvem o problema do povo. Outra crítica é quanto a atenção que se dá para a Copa do Mundo 2014. Mesmo deixando claro que não é contra a sua realização, Djacy afirma que está se fazendo uma inversão de valores. Para ele, a prioridade é o ser humano. Enquanto isso, de acordo com Djacy, são 12 milhões de brasileiros ameaçados pela fome e pela sede, na maioria produtores rurais da cultura da subsistência, que plantam o que come, quando podem, e não sobra nada para vender. "Até o mandacaru, que é a planta mais resistente do sertão, está morrendo", afirma Djacy, que esteve em São Paulo há poucos dias. Ele continua a sua peregrinação. Djacy é brasileiro e tão forte quanto o mandacaru.
Um pouco de política, um pouco de humanidades, um pouco de tudo, generalidades, na busca do todo.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
terça-feira, 24 de abril de 2012
Assassinado o quarto jornalista brasileiro nesse ano
Décio Sá era autor de um dos blogs mais lidos do Maranhão
Relatório da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa)
denunciando a morte de jornalistas na América Latina, incluindo Brasil,
coincide com o assassinato do jornalista Décio Sá, em São Luiz (MA), sem que o
seu executor se preocupasse de esconder o rosto.
Com mais essa morte, na segunda-feira, já são quatro
os jornalistas assassinados no Brasil, incluindo relatório da SIP, que
relaciona as mortes ainda de Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, editor-chefe do
“Jornal da Praça”, em Ponta Porã (MS); Mário Randolfo Marques Lopes, chefe de
reportagem do site “Vassouras na Net”, em Barra do Piraí (RJ); e Laércio de
Souza, jornalista da rádio Sucesso, assassinado em Camaçari (BA).
Foram denunciados ainda pela SIP oito casos de agressão a jornalistas, um de prisão, seis
de censura judicial, seis atentados e seis ameaças à imprensa, esse ano.
A quarta vítima
fatal, Décio Sá, de 42 anos, foi executado por um homem que estava em uma
motociclista.
Repórter da editoria de Política de “O Estado de Maranhão”, Sá era autor de um dos blogs mais lidos do estado. O jornalista foi atingido por seis
tiros, quatro na cabeça e dois nas costas.
Em seu comunicado divulgado também na segunda-feira, em Cadiz, Espanha, durante o seu encontro semestral, a SIP cita a
diplomacia brasileira que teria se recusado a endossar uma resolução da Unesco
que tinha por objetivo proporcionar mais segurança aos profissionais da
imprensa.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
O Poupatempo de segunda geração
Para acompanhar as mudanças tecnológicas e atender ainda
melhor a população, a Secretaria da Gestão Pública do Estado de São Paulo
pretende aperfeiçoar um equipamento que ainda hoje é um dos maiores exemplos de
inovação no serviço público. É o Poupatempo criado em 1996, em São Paulo, pelo
ex-governador Mario Covas, que reúne vários tipos de serviços em apenas um
lugar, como a confecção da carteira de identidade, carteira profissional,
habilitação de motorista, licenciamento de veículos, entre outros.
Um dos desafios da pasta, segundo o secretário Davi Zaia,
que participou nesta quinta-feira de gravação do programa A Hora e a Vez da Pequena Empresa,
do Simpi (Sindicato da Micro e Pequena Indústria) é o Poupatempo de segunda
geração, que terá as mais modernas tecnologia da informação.
Com isso, será possível, afirma o secretário Davi Zaia,
criar unidades menores do Poupatempo para que se possa descentralizar os
serviços e abranger novas cidades, distantes dos grandes centros urbanos e até
mesmo em determinadas zonas rurais.
As unidades do Poupatempo, num total de 37, oito delas na
Capital, realizam aproximadamente 300 milhões de atendimentos todos os anos, ou
2,8 milhões/mês. O maior número de atendimentos acontece no Poupatempo
Itaquera, na periferia de São Paulo, com uma 291 mil todos os meses.
Outro projeto do secretário é o acerto com as prefeituras
para incorporar também os serviços da municipalidade e com o governo federal
para oferecer também os serviços da União, nos Poupatempo.
O programa com o secretário Davi Zaia, que foi entrevistado
pelo presidente do Simpi, Joseph Couri, deve ser veiculado dentro de duas ou
três semanas pela Rede TV e Rede Vida, com alcance nacional.
Blog do PPS: Um diagnóstico das "burrices" do sistema de Saúde
Blog do PPS: Um diagnóstico das "burrices" do sistema de Saúde: Foi um sucesso nesta quinta-feira (19), com auditório lotado e participação entusiasmada dos pré-candidatos à Câmara Municipal, mais um dos ...
terça-feira, 17 de abril de 2012
Para descontrair
Southern Cross, clássico do Crosby, Stills & Nasch.
A banda estará no Brasil este ano e talvez eu não vá, por absoluta falta de grana.
O dinheiro nem sempre traz felicidade, mas que falta que faz.
http://youtu.be/Bw9gLjEGJrw
A banda estará no Brasil este ano e talvez eu não vá, por absoluta falta de grana.
O dinheiro nem sempre traz felicidade, mas que falta que faz.
http://youtu.be/Bw9gLjEGJrw
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Política e crime organizado não combinam
Por Silvano Tarantelli
O senador Demóstenes Torres, pivô do caso Cachoeira
Se as crises dão margem para fórmulas que as superem, a CPI
do Cachoeira, que se inicia na terça-feira em Brasília, poderia dar o
ensejo para se encontrar soluções que coíbam a ligação de políticos com o crime organizado, via financiamento
ilegal das campanhas eleitorais.
Algumas propostas como o financiamento público das campanhas
continuam na ordem do dia e poderiam fazer parte da reforma política, sempre muito
comentada, mas nunca colocada na pauta do Congresso, por fugir aos interesses
dos políticos e governo, ora encastelados no Poder.
Se não querem que os efeitos sejam imediatos poderiam
trabalhar com uma perspectiva de que a reforma política possa ser colocada em
prática em um universo de tempo para daqui a mais duas campanhas eleitorais,
por exemplo.
A visão imediatista de grande parte dos políticos interfere
no processo e não deixa ver que a continuar como está a política continuará
ainda mais desacreditada, com crises institucionais cada vez mais graves.
Talvez a intenção seja mesmo essa: afastar ainda mais a
população da prática política, tal como reserva de mercado para quem de ofício,
os políticos tradicionais.
Enquanto isso, os escândalos se sucedem e se agigantam. É o caso do mensalão, no qual parte dos responsáveis podem se ver livres se as
investigações caminharem para a prescrição de alguns crimes, e, mais
recentemente, os estragos de Carlinhos Cachoeira.
Da forma como for conduzida, a CPI se transforma em uma
incógnita. Pode tanto dar em nada como causar estragos na oposição e situação porque
a sua origem é a mesma: o financiamento ilegal das campanhas eleitorais, o
popular caixa dois.
Não é justo afirmar que nada se fez. Em 1988, a Constituição consolidou o fundo partidário criado pelo regime militar, que foi regulamentado em lei em 1995, para financiar a atividade dos partidos políticos e as campanhas eleitorais.
Em 1997, foi feita uma mini-reforma eleitoral, deflagrada pelas repercussões do escândalo do
mensalão, mas são pontuais, como foram as alterações decorrentes do impeachment
de Fernando Collor de Melo.
É certo que o financiamento público por si não evitará casos
de corrupção. A fiscalização desses atos por parte da Justiça Eleitoral também
precisa ser mais rigorosa, assim como as penalidades que devem recair também
sobre os partidos políticos e não apenas sobre as pessoas físicas infratoras.
Alguns projetos de iniciativa parlamentar estão em
tramitação, assim como há propostas da sociedade civil como a OAB, além de
pressões por parte de sindicatos e outras entidades por mais rigor nos casos de
corrupção.
Talvez fosse o caso de inspirar-se na lesgislação de outros
países, como o Peru, que implantou em sua legislação o financiamento público
direto. Por meio deste, os partidos políticos recebem verbas de fundos públicos
e privados para financiamento de suas atividades e das campanhas eleitorais. Há
restrições quanto a doações de fornecedores do governo e de empresas e pessoas
de fora do País, que são proibidas.
Enfim, é hora de se pensar seriamente em soluções adequadas
que reduzam as margens que fazem os esquemas de corrupção prosperarem.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
O cidadão quer saber: o País precisa de um mito?
Por Silvano Tarantelli
Nosso Grande Líder
Tudo bem: admito a importância do sindicalista Lula na história desse País e do significado das greves do ABC para redemocratizar o país, embora essa luta seja resultado de uma série de fatores e sacrifícios de outros personagens.
Dezenas de outros sindicalistas dedicaram tanto ou mais de suas vidas pela luta dos trabalhadores e pela população brasileira, sem receber
o merecido reconhecimento, alguns no anonimato, sofrendo torturas, exílio e, em alguns casos, morrendo pelos seus ideais.
Lembro-me, entre outros, de
Roberto Morena, Lindolpho Silva, Edgar Leuenrouth, Osvaldo Pacheco e José
Ibrahin, só para citar alguns nomes importantes. Com certeza, esta lista é
muito maior do que minha curta memória.
Agora, quererem transformar Lula, ainda em vida, em mito, tal
qual o Grande Líder Kim Il Sung, na Coreia do Norte (pai de Kim Jong Il e avô
de King Jong Un, que o sucederam), ou mesmo Stalin, na ex-URSS, já é demais.
Leio nos jornais a notícia que pretendem construir um museu
para lembrar as greves dos metalurgicos do ABC tendo o nosso “grande líder”
como protagonista.
Tudo isso às expensas do erário público, parte do tesouro do
governo e outra da municipalidade de São Bernardo do Campo, onde o museu deverá
ser construído, sob obra e graça do alcaide Luiz Marinho (PT).
O museu vai custar R$ 18 milhões aos nossos bolsos, sendo R$
14,4 milhões doados pelo governo federal e R$ 3,6 milhões do governo municipal.
Poderiam ao menos seguir a experiência de grandes museus nos
Estados Unidos e Europa, patrocinados pela iniciativa privada por meio de
doações.
Creio que esses museus, quase sempre temáticos, não sejam
dedicados exclusivamente a esse ou àquele personagem, nem que se exponham obras
de um determinado artista e detrimento de outros.
Tudo bem, temos o Mausoléu de Lenin, por exemplo, na Rússia,
com o corpo mumificado do regente da Revolução Russsa.
Mas não é o caso dessa
vez de um monumento dedicado quase que exclusivamente ao sindicalista Lula, em
vida, mesmo que a pretexto de se homenagear o sindicalismo brasileiro, que com
certeza, não surgiu a partir das greves do ABC. Afinal, ainda bem, o homem está se restabelecendo satisfatoriamente de um câncer que pelos relatórios médicos foi superado e, terá, espero, uma longa vida pela frente.
Para completar, querem erigir outro memorial em São Paulo
com a mesma finalidade (o projeto que cede o terreno está sendo analisado pela
Câmara Municipal), orçado entre R$ 40 milhões a R$ 60 milhões, sob a
coordenação de Paulo Okamoto, outro nome relacionado com o escândalo do
mensalão.
Como assinala trecho de uma das peças do dramaturgo e poeta
alemão Bertolt Brecht, infeliz
da nação que necessita de heróis.
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